#EspecialAngelaDavis: a mulher mais perigosa do mundo

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Por Luana Protazio

Nascida em Birmingham, no sul do Alabama, considerado um dos estados mais racista dos estados unidos, Angela Yvonne Davis cresceu em meio a ataques da Ku Klux Klan, atos e perseguições racistas.

Ainda jovem, Davis organizou grupos de estudos inter-raciais, que foram perseguidos e proibidos pela polícia. Aos 14 anos, conquistou uma bolsa de estudos para a Universidade de Massachussetts, onde teve contato com a literatura comunista. Mais tarde, na Califórnia, foi aluna de Herbert Marcuse, ligado à Escola de Frankfurt, e, como estudante de graduação, no final dos anos 60, tornou-se militante ativa nos movimentos negro e feminista, no Partido dos Panteras Negras e, ainda mais atuante no Che Lumumba Club – o ramo todo preto do Partido Comunista.

Contratada para ensinar na Universidade da Califórnia, Los Angeles, em 1969, Davis teve problemas com a administração da escola por causa de sua associação com o comunismo. Foi demitida, mas lutou contra a decisão no tribunal e conseguiu seu emprego de volta.

Davis ainda acabou saindo quando seu contrato expirou em 1970.

Irmãos Soledad e a mulher mais perigosa do mundo

Angela Davis Jonathan Jackson march to free George Jackson Soledad Bros 1970 - #EspecialAngelaDavis: a mulher mais perigosa do mundoEm 1970, Angela estava envolvida nos esforços do Partido dos Panteras Negras para conquistar o apoio da sociedade a libertar três militantes negros John Cluchette, Fleeta Drumgo e George Jackson, conhecidos como “Irmãos Soledad por estarem detidos na prisão Soledad, em Monterey. Seus discursos tinham foco na necessária e urgente reforma no sistema prisional e na liberdade de presos políticos.

No dia 7 de agosto daquele ano, Jonathan Jackson, irmão de George Jackson, e outros dois jovens interromperam armados o julgamento de James McClain, acusado de esfaquear um policial, renderam todos no tribunal e conduziram o juiz, promotor e alguns jurados para uma van estacionada do lado de fora, na tentativa de trocar a vida dos reféns pela liberdade dos irmãos Soledad.

Houve perseguição policial e troca de tiros que resultaram na morte de 4 pessoas, entre elas o próprio Jonathan, um amigo e o juiz da corte. As investigações que se seguiram levaram severas acusações, incluindo acusação de homicídio, ao nome de Angela Davis. Os elementos de prova usados no julgamento era que as armas utilizadas estavam registradas em seu nome e que Angela estaria num relacionamento amoroso com George Jackson.

Assim começa uma das maiores caçadas humanas do país na época. Angela fugiu do estado e desapareceu por dois meses com o FBI e a mídia em seu encalço, neste momento, tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI.

Quando presa, em outubro, seu julgamento de longos dezoito meses foi o centro das atenções da imprensa e ganhou as ruas através de cartazes e gritos pedindo sua absolvição. FREE ANGELA DAVIS tornou-se uma campanha de protestos e manifestações internacionais, e além de levantar fundos para seu julgamento, levou luz ao que ativistas, como Davis, já diziam sobre o sistema carcerário e os presos políticos do país.

Angela foi inocentada de todas as acusações e libertada.

Indico o documentário Free Angela & All Political Prisoners para maiores detalhes de sua trajetória, perseguição e julgamento.

 

Especial Angela Davis

Atualmente, Angela é professora do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia e foca seu trabalho e luta sobre a questão prisional nos Estados Unidos, estabelecendo relações entre o sistema escravista e o sistema prisional. “No passado houve quem defendesse a manutenção da escravidão de forma ‘mais humanizada’. Esse argumento não nos faz sentido, mas há os que defendem a reforma do sistema carcerário hoje. A escravidão e o cárcere são instituições de repressão estruturadas no racismo. Abolir o sistema carcerário nos faz pensar a sociedade em que esse sistema de punição emerge e buscar novas formas de justiça”, defendeu em sua última visita ao Brasil.

Suas obras são referências nos estudos de intersecção gênero, raça e classe. O livro Mulheres, Raça e Classe foi traduzido em 2016 pela Boitempo, com prefácio de Djamila Ribeiro e orelha escrita por Rosane Borges, e mais recentemente a editora traduziu o livro Mulheres, Cultura e Política, da autora.

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Este texto é só um pequeno compilado da longa história de luta e transformações de Angela Davis, não chega aos pés de resumir sua trajetória inspiradora. Nos próximos dias, falarei um pouco mais sobre seus feitos em nossa página, além de indicar leituras que nos permitam conhecê-lá um pouco mais e trechos de seus discursos marcantes pelo mundo. Fiquem a vontade para enviar dicas e colaborações através de comentários e mensagens e façam parte do Especial Angela Davis, por Elogie uma irmã negra.

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